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o palhaço Odete amaldiçoado por Salazar
Saudações, amigos.

Edit: Tinha pensado não escrever nada demasiado prolixo, até porque estou num computador emprestado e sem muito tempo. O Vítor já se deve estar a rir só de olhar para a extensão do post, peço desculpa, não quero azucrinar ninguém e sei que este fórum é sobre corridas de automóveis e não sobre estes temas, mas como temos um tópico “Geral”, acho que não faz mal falar sobre isto aqui. lol Agora só terça-feira é que volto a tocar num computador, por isso não vão ter de me aturar. :D

A respeito do comentário do Carlos Rocha (ao qual dou prioridade apenas por ser um bom ponto de partida para dissipar algumas confusões que podem ter sido feitas), acho importante observar que, na minha opinião e, penso eu, na opinião de todas as pessoas que vierem a ler este post, uma pessoa, um ser humano, é um sistema multidimensional, multifacetado, dinâmico e complexo que não se reduz a um modelo, arquétipo, ou corrente de pensamento estabelecida (o comunismo está longe de ser um modo de pensamento estático, pelo contrário, está em permanente evolução, mas ainda que o fosse teria o mesmo significado dentro deste contexto). É com isso em mente que penso que ter a pretensão de saber tudo sobre as ideias, valores, convicções ou personalidade de uma pessoa só por se conhecer as suas orientações em termos PARTIDÁRIOS é uma atitude um tanto procaz e estereotipada. Não me sinto na obrigação de dar satisfações ao Carlos Rocha ou a quem quer que seja sobre as minhas tendências partidárias, que já esclareci aqui para quem leu os posts anteriores, especialmente quando essas convicções são usadas, deturpadamente, não para contrapor as minhas ideias, mas para invalidá-las, ou melhor, falsificá-las à partida sem que sejam submetidas a uma reflexão construtiva sobre o seu significado. Essas ideias conservam o seu valor independentemente da pessoa que as exprime. Mesmo assim, vou relatar algumas das minhas experiências com o PCP. Como disse antes, sou eleitor desse partido (e também do bloco de esquerda em alguns momentos eleitorais), em adolescente, com 16 anos, penso eu, dirigi-me, juntamente com um amigo, a uma sede do partido comunista para consumar a nossa inscrição na JCP. A sede estava fechada nesse dia e essa foi a única ocasião em que estive sequer perto de entrar dentro de uma sede do PCP. Alguma vez viram um adolescente que não seja volátil? Eu era. Já estive, uma vez, num centro de trabalho desse partido por acasião de uma festa que foi lá organizada (algo temático, mas não me recordo exactamente do tema) e conservo ainda intacta a recordação das baratas que encontrei no meio do esparguete que, não obstante, estava muito bom, ou talvez mesmo por causa disso. Fora isto, todas as vezes que trabalhei em conjunto com militantes do PCP foi fora da esfera partidária e em função de interesses comuns. Não sou filiado no partido e não estou comprometido sob nenhuma forma com as ideias que esse partido defende, embora, obviamente, me identifique profundamente com alguns dos seus princípios fundamentais (não me identificando com outros). Sobre o “arquivo com partes de discursos já feitos e muito bem organizado”, o Carlos Rocha, uma vez que, para saber isto, é presumível que conheça o partido do lado de dentro (conhecimento que eu não tenho), talvez me permita acompanhá-lo a uma sede do partido para analisarmos esse acervo de arquivos que ele fará o obséquio de me mostrar. Perdoem-me o sardonismo. “Os comunistas dizem sempre a mesma coisa” (ao contrário do Carlos Rocha que, até agora, tem dito sempre coisas diferentes sobre os comunistas e nos tem fornecido múltiplas perspectivas), concordo e discordo com essa afirmação. Os comunistas dizem coisas muito diferentes e não estão todos de acordo uns com os outros mas, no fundamental, o partido diz sempre o mesmo porque as injustiças são sempre as mesmas. Seria confrangedor se qualquer coisa diferente disso acontecesse se, em situações iguais, o partido defendesse coisas distintas e antagónicas (tanto podemos estar a falar sobre o partido comunista como de qualquer outro partido). Não penso que a coerência seja um valor absoluto (sobretudo quando se transforma em teimosia exacerbada), acho que a melhor forma de coerência é aplicar às nossas ideias os mesmos critérios que aplicamos para analisar as dos outros e, quando se justifica, mudar de opinião. É com base nesse mesmo princípio que considero o PCP um partido coerente, embora, claro, repleto de defeitos que também podemos discutir aqui se houver vontade de alguém para isso. “Lábia”, foi algo que decididamente não usei no post em que respondi ao Vitor Enes (que, no seu primeiro post, apresentou argumentos construtivos, provas e relatos sobre as suas experiências na Venezuela em vez de preconceitos, atoardas, ou provocações. Acredito que temos muito a aprender um com o outro sobre o que se passa no mundo, já que, tal como ele próprio referiu no último post que escreveu, mantemos a mesma atitude em relação às coisas, mesmo não estando algumas vezes de acordo), já que a argumentação que usei foi sincera e isenta, reproduziu apenas as minhas ideias e não as ideias de um partido ou organização. Os dados que apresentei no meu post, a serem irrealistas (e admito que possam sê-lo, já que o Vitor Enes tem dados diferentes dos meus e experiências diferentes da minhas), não são embustes da minha autoria, foram recolhidas de um conjunto diversificado de fontes que considero, até agora, dignas de crédito. Felizmente, ainda me “restam” muitas outras coisas para além das minhas afinidades partidárias. Há uma confusão que é importante não fazer, dizer que se é “comunista” tem o mesmo valor que dizer-se que se é de “esquerda” ou de “direita”, são termos ou conceitos que servem para identificar ORIENTAÇÕES políticas, em termos das ideias de cada um, não dão uma definição cabal para essas ideias, que variam com cada pessoa. Os “comunistas” não são todos iguais nem defendem todos as mesmas coisas, pensar tal coisa, seria de uma alienação tremenda em relação às realidades mais elementares sobre as relações humanas. Uma pessoa não se reduz a um estereótipo.

A respeito do post do Vítor Enes.

Foi com satisfação que li a tua resposta, Vitor. Tal com já disse anteriormente neste post, acompanho-te na ideia que partilhamos a mesma atitude em relação a estes problemas. Em primeiro lugar, confirmo que apreendeste correctamente o sentido do meu nick e, em segundo, podes considerar-te convidado, juntamente com a tua família, a visitar-me em Sintra, o lugar onde moro, se alguma vez decidirem vir passear para estes lados. Penso que a nossa troca de ideias seria ainda mais estimulante sem estes hiatos impostos pela Internet, onde há uma grande impressoalidade. Tu, provavelmente, pelo teu percurso de vida, terás até muito mais razões de “queixa” em relação ao comunismo (Chavez não é comunista, mas o PCP e outros partidos comunistas, como o de Cuba, mantêm relações muito estreitas com o governo Venezuelano e apoiam-no abertamente) do que qualquer outra pessoa aqui, no entanto, em vez de confrontares as minhas ideias com agressividade, escárnio ou ironia, interpelaste-as através de argumentos e testemunhos que tinham a ver com essas ideias, independentemente da minha pessoa ou de suposições sobre o resto das minhas convicções que não são importantes nem relevantes para o tema, que tem existência própria. É pena que muitas pessoas não vejam as coisas dessa maneira, mas é com regozijo que vejo que debatemos as matérias dentro da mesma dimensão. Neste teu último post falaste sobre as perseguições que sofreste na Venezuela por ser estrangeiro (branco como a cal... lol) e por teres assinado uma petição para referendar a continuidade do governo em funções, esse referendo revogatório foi mesmo feito e com os resultados que conhecemos, que não interessa analisar agora. Sobre a primeira parte, eu próprio previ que, as políticas do governo contra a exploração da Venezuela pelos interesses económicos estrangeiros (é esta a interpretação que faço sobre as políticas do governo, eventualmente terás uma diferente), teria esse tipo de efeitos colaterais (“colaterais”, até já pareço um Ianque a falar... lol). Penso que é algo que o governo devia diligenciado, expressamente, para evitar, sabendo separar o resultado das acções das multinacionais do resto dos emigrantes na Venezuela que, o que têm, foi ganho à custa do trabalho e não da exploração. Infelizmente este tipo de generalização é mais ou menos universal em todos os processos de transformação social, sem que isso desculpe nem tão pouco mais ou menos o governo da Venezuela por não ter sabido (ou tido vontade de) adequar o discurso depurando o racismo e a xenofobia. Mesmo cá em Portugal, depois do 25 de Abril, foram cometidas graves injustiças sobre muitas pessoas, qualquer um que tivesse o carro pintado da cor errada arriscava-se a ser acusado pelos transeuntes de ser fascista. O que não impede que o 25 de Abril tenha sido uma coisa boa para Portugal, podia ter sido muito melhor, é verdade. Mesmo assim, o discurso do governo, isoladamente, penso eu, não é suficiente para tornar alguém racista, essas tensões já deviam existir intersticialmente à sociedade e encontraram reforço nas novas políticas governamentais. Sobre a segunda parte, recebo com muita preocupação a descrição que fizeste sobre essa situação e gostava de saber mais sobre isso. Quando no outro dia disse que “a tua palavra não basta”, noção com a qual concordaste e incentivaste no teu post seguinte, isso não corresponde, como é óbvio, a chamar-te mentiroso (coisa que tenho a certeza que não és), corresponde apenas a reconhecer, com humildade, que tanto tu como eu podemos estar enganados. Algumas pessoas que conheço (alguns que se dizem comunistas) achariam justificadas essas perseguições eu, pessoalmente, acho-as IGNOMINIOSAS. Se alguma vez ouvir alguém defender esse tipo de atitudes, terei o cuidado de fazer notar que as supostas “listas de grevistas” das quais tanto se fala em Portugal correspondem exactamente ao mesmo tipo de processo de intimidação política e são fortemente criticadas por essas mesmas pessoas. Posto isto, tenho muitas reservas sobre o que disseste, acredito, claro, que seja essa a percepção que tens sobre o que aconteceu, as interrogações que coloco são sobre se essa percepção corresponderá à realidade. E acredita que não pretendo sobrepor as informações que tenho, obtidas a distância, às coisas que viveste na Venezuela, o meu objectivo é apurar a verdade juntamente contigo, não branqueá-la. Quanto tiveres tempo, fala-me sobre as provas que existem da obtenção e uso dessas listas pelo governo para prejudicar quem as assinou (é claro que seria ridículo esperar que me apresentasses fisicamente as provas, peço apenas que resumas o que é dito por quem defende essa versão e se sentiu lesado pessoalmente). Lembro-me de uma ocasião, antes das eleições na Venezuela, em que a RCTV noticiou que as sondagens feitas por uma Universidade espanhola que davam a vitória a Chavez por uma margem colossal nas eleições eram falsas. Supostamente, o nome da pessoa responsável por essas sondagens tinha sido introduzido no motor de busca do site da Universidade (por jornalistas dessa estação) sem que tivesse sido obtido um resultado. A Universidade emitiu pouco depois um desmentido onde mostrava o nome dessa pessoa constante nesse mesmo site que, só não tinha produzido resultados válidos à busca feita pela RCTV, porque o nome tinha sido inserido com as letras trocadas (isto faz lembrar a “excelência” do jornalismo da CBS e o Mário Crespo no 60 minutes). Falei neste exemplo para relembrar a conjuntura de “desinformação” que se pode ter estendido até essa matéria. Houve algo que me esqueci de referir no outro post, sobre o José Vicente Rangel, desde a eleição em 1999 só mudou de cargo duas vezes (ocupando, no total, três cargos no governo), penso que “de dois em dois meses” foi uma expressão um pouco exagerada que usaste, mesmo sendo alegórica (ou então temos informações diferentes, o que é bem possível). Começou como ministro dos negócios estrangeiros, em 2001 passou para ministro da defesa (sendo civil, o que representou uma fractura com os costumes que caracterizam os sistemas políticos dos países dessa região do mundo) e, em 2002, assumiu o cargo de vice-presidente, tendo sido substituído este ano por Jorge Rodríguez, abandonando o governo. Esta rotatividade, que nem foi assim tanta, não é anormal nem sinal de instabilidade ou corrupção em países de tradições democráticas. Há exemplos muito semelhantes em nações de toda a Europa com reputação de serem democráticas (o que não quer dizer que sejam e, nesse ponto, não podíamos estar mais de acordo). Isto, claro, não retira valor nenhum à tua ideia sobre as funções que ocupa como director de informação de um canal e que merece, por criar questões sobre imparcialidade, ser investigada. Finalizo o post com uma última observação, esta de cariz pessoal, por um lado foi muito bom que tenhas voltado para Portugal, numa altura periclitante como esta, com a vandalização de importantes conquistas sociais, a tua postura construtiva em relação à sociedade é muito útil especialmente agora. E agradeço novamente a tua disponibilidade para falar, de forma equilibrada, de um tema que nem sequer tem muito a ver com o fórum. Quando voltar temos de combinar umas corridas no rFactor, ando a precisar de actividades lúdicas. Vais entrar na Funrace de dia 10? :D
[Image: celeritas_sig.png]
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É claro que estarei na Fun Race!!

E até pode ser que algum dia te "pague" uma visita... eu nasci e morei em Setúbal até ir pra Venezuela, e costumo dar um salto por esses lados de vez em quando. Tu sabes, para ir ver os camelos... :23::23::laugh::laugh::laugh:

Não tenho "evidência" alguma que possa esgrimir para sustentar a minha afirmação referente às assinaturas, mais que o facto de que o "filtro" foi aplicado perante os meus olhos (via uma pesquisa muito rápida num site erigido pelo Estado para tal fim, ligado a intranet do CNE...:confused:) e a pessoa que me estava a entrevistar me ter dito (em espanhol, claro... hehehe) "ai 'musiu' (musiu é a palavra com que designam aos estrangeiros na Venezuela - N.E. ... lol) você está lixado! Você assinou no referendo e aqui não entra". (Passo a escrever em espanhol, para ser mais pitoresco... "ay, musiu... usted se jodió... firmó en el referendo, aqui no entra!"

Assim. Directo e conciso. E o mesmo aconteceu com o meu irmão, um colega dele que têm (tinha...) uma empresa de construção civil, e um amigo que formou-se como engenheiro de petróleos em 2000 e teve de ir buscar trabalho no Dubai (...) porque lhe aconteceu a mesma coisa... é pá... gostaria ter outras "provas" mais contundentes que este testemunho, mas é um segredo a gritos na Venezuela que tal coisa acontece.

Bem... este tema deixa-me um bocado azedo, por razões óbvias. Não me arrependo um segundo do tempo que lá passei, nem muito menos de ter voltado a Portugal. Isso então MUITO MENOS. De facto, até agradeço ao Sr. Chávez (hehehehe) porque aqui, a pesar das dificuldades, consigo sentir-me em casa, coisa que lá não sentia há muito tempo. Como diz Franco de Vita (cantor venezuelano de origem italiana) numa das suas músicas mais conhecidas... "un extrangero nunca tendrá patria". Dramático? Sim. Mas eu senti-lo em carne própria. Fica bem e sempre que quiseres, pá, a tua conversa é bem vinda.:fixe:
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Desta vez escrevo um post um pouco mais curto para não saturar demasiado.

Vítor, os teus testemunhos escritos na primeira pessoa são, para mim, muito mais valiosos do que uma "explicação oficial" tanto dada pelo governo como por qualquer outra organização. Forneces-nos dados palpáveis e objectivos em vez de ambiguidades e abstracções como é costume obter nas fontes oficiais, por isso, acho que o que descreveste é uma "evidência" muito maior do que qualquer outra coisa que pudesses ter encontrado para consolidar a tese sobre as perseguições políticas. Fico, no entanto, até um pouco constrangido em pedir que me esclareças alguns pontos que me confundiram, espero que não me interpretes mal pois estas perguntas que vou fazer não almejam, de maneira nenhuma, lançar dúvidas sobre o teu testemunho, a única questão é que quero ter a certeza que estamos a falar sobre a mesma coisa para melhor poder direccionar a minha investigação e o nosso debate. Segundo o que disseste no teu primeiro post, voltaste para Portugal há quatro anos, como estamos a meio de 2007, presumo que tenhas voltado até ao final do ano de 2003. As assinaturas pedindo a convocação do referendo (as mesmas que geraram grande polémica por causa das alegações de irregularidades por parte da CNE. Na altura observei algumas páginas e achei que, sem dúvida, as assinaturas nessas páginas estarem todas feitas com a mesma letra era bastante suspeito, mas foram só algumas folhas e essas irregularidades que observei podem ser imputáveis não necessariamente à oposição mas a actos de vandalismo que estamos habituados a encontrar em coisas semelhantes) foram entregues em Dezembro de 2003 e analisadas pela CNE entre essa data e Maio de 2004 (há sensivelmente três anos, embora acredite que fosse possível ter uma base de dados com essas assinaturas pronta em Fevereiro de 2004, altura em que a CNE rejeitou cerca de 800 mil), o que foi até um tempo recorde para 2,4 milhões de assinaturas. Uma vez que só em 2004 seria possível, logisticamente, ter organizada uma base de dados informática onde constassem todos os signatários dessa declaração, o que disseste no teu primeiro post colocar-te-ia em Portugal nessa altura, a um hemisfério de distância desses possíveis actos de autêntico "fascismo" perpetrados pelo governo. O referendo propriamente dito só foi feito em Agosto de 2004, há menos de três anos. Sem querer, de forma alguma, abalar a credibilidade do teu testemunho nem dar-te lições sobre a realidade de um país onde viveste durante 24 anos, quero apenas ter a certeza que estamos a falar sobre as mesmas assinaturas e sobre o mesmo referendo. Na Internet é fácil haver confusões. Não pude deixar de pensar que, depois de todas as acusações sobre "atraso tecnológico" que já ouvi serem feitas ao governo, a existência de uma base de dados com um alcance dessa dimensão e acessível nas instituições do estado (cá em portugal, a maioria, nem sequer está ligada à internet) contraria essas mesmas acusações o que, por um lado, me pôs a transbordar em contentamento e, por outro lado, com muitas interrogações, por causa das coisas que descreveste. Outro facto que me parece incongruente com uma segregação em tão grande escala reside em não terem sido apresentadas queixas no ministério público (pelo menos em grande volume para que esses acontecimentos fossem amplamente divulgados pela comunicação social que, estou certo, não perderia uma oportunidade dessa estirpe) denunciando situações como a que descreveste, quando são apresentadas em relação a outras coisas análogas, fortemente encorajadas pelos partidos da oposição que, mesmo desagregados, conservam ainda bastante poder e influência (oposição que, agora, na pessoa do Manuel Rosales, até já pede que seja referendada a concessão da RCTV). Ainda a respeito da RCTV, o próprio governo está dividido nessa matéria e essa divisão foi mesmo transmitida em directo para todo o mundo com um deputado "Chavista" no parlamento a pedir mais tolerância e diversidade. Chavez ganha as eleições dentro de um sistema pluripartidário que permanece assim depois da sua eleição, muda a constituição, faz um referendo à sua própria continuidade no governo, que ganha. Depois das acusações de fraudes, são novamente inventariados os votos por observadores internacionais e pelo instituto Carter, que revelou uma discrepância de apenas 0,1% entre os resultados anunciados e os resultados reais (margem normal em qualquer processo eleitoral devido a erros imponderáveis), como a oposição mesmo assim não estava satisfeita, procedeu-se à contagem manual de todos os votos que produziu os mesmos resultados. Pelos critérios de todos os observadores internacionais, os resultados foram inteiramente legítimos. Dois anos depois, Chavez volta a ser eleito em novas eleições presidenciais, os observadores internacionais voltam a confirmar a legitimidade das eleições. A ser uma ditadura, seria uma ditadura dentro de um modelo inédito e sem precedentes em qualquer parte do mundo. Embora, claro, tal ideia não seja inconsistente com a existência de perseguições políticas, que existem em todos os países do mundo. A questão é se essas perseguições são feitas sob a égide do estado ou se são fenómenos localizados. Depois do decrescimento da economia provocado pela greve no sector petrolífero, convocada pela oposição e que durou cerca de dois meses, esta voltou a florescer numa medida pouco vulgar no percurso histórico do país. Entre a década de 1960 e a década de 1990 a taxa de pobreza subiu de 25% para 65%, só desceu novamente depois das reformas introduzidas por Chavez. Existe, claro, confrontação e instabilidade. Num sistema herdado das formas mais barbaras de capitalismo, qualquer transformação envolve confronto entre os interesses das classes anteriormente dominantes e as classes que se tenciona proteger da pobreza. É isto que me faz pensar nas necessidades objectivas do governo em criar uma assimetria dessa natureza entre os direitos dos opositores e os direitos dos outros, já que mesmo nas inflexões mais baixas da taxa de aprovação de Chavez, essa aprovação foi sempre maior do que a de qualquer outro presidente (acredito que desça a pique depois desta medida muito pouco popular sobre a RCTV). Pergunto-me se o que aconteceu contigo e com as pessoas que conheces terão sido casos pontuais ou uma prática generalizada que atinja todas as esferas sociais e profissionais. Vou submeter cuidadosamente tudo o que disseste a comparação com os dados que me forem chegando e vou-te mantendo informado, se encontrar novos dados ou informações relevantes irei expô-las aqui. Mais uma vez, espero que não te sintas ofendido pelas perguntas que fiz no princípio do post. Regra geral, não costumo perguntar mais do que o estritamente essencial sobre a vida pessoal de cada um e peço desde já desculpa por qualquer interpretação lateral que essas perguntas te sugiram, a finalidade é apenas situar a discussão e não pôr em causa o que disseste sobre um assunto sobre o qual acredito que te cause até uma certa angústia falar. Não quero trazer mesquinhices para dentro da conversa nem distrair a atenção para assuntos acessórios, espero que não tenhas ficado com uma ideia dessas. Sobre a visita, se cá vierem mesmo, é melhor que não estejam de dieta, já que é meu costume levar toda a gente à vila para experimentar algumas especialidades da região. Já deves conhecê-las. Sobre a tua vinda para Portugal, acho que nem tudo são rosas, afinal, na Venezuela, não havia o SAPO ADSL...lol. Boa sorte para o trofeu BMW e não voltes aqui sem ter ganho a corrida. :D
[Image: celeritas_sig.png]
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Caro:

Se bem recordas, em Novembro de 2000 (antes da tragicomédia da Greve Geral de Dezembro) houve uma primeira "volta" para tentar referendar o Governo do Comandante. Foi nessas assinaturas que eu entrei.

Com respeito ao Ministério Público e, mais especificamente, à "Defensoria del Pueblo" (deves saber bem o que é...) existem sim, muitas queixas, em especial do pessoal da PDVSA. Ainda estão por ser resolvidas... Bem, não entremos nisso melhor... hehehehehe. E foram sim divulgados nos meios. E continuam (continuavam?) a ser divulgados. Dá uma olhadela ao jornal "Tal Cual" - aparecem (ou apareciam) varias lá.

Mas olha, agora a sério mesmo... o assunto Chávez dá-me mesmo azia... :laugh:
Temos cá muito material para discutir - como o nosso "Engenheiro" Sócrates e o professor suspendido... :23:

Não tenho problema algum com as tuas perguntas - se assim fosse já tinha dito. E bem, se algum dia passo por lá então... é pra enfardar!! LOL

Tenho pena em dizer que a corrida dos F-BMW não foi assim tão boa - se bem que pode ser pior. Cheguei quinto depois de ir em 4to até duas voltas do fim, quando a suspensão (que já estava aleijada...) cedeu e acabei a corrida por milagre... Ganhar no nosso campeonato da F-BMW???? Só se o Bruno Marques, o Álvaro Parente, o Alexandre Caetano e o Algaci desistem todos de correr... :23: Ai poderia ter uma chance de disputar um segundo, até um primeiro... mas sou muito "noob" ainda, e não percebo mesmo nada de correr nem de setups nem nada... :laugh::laugh: Mas vontade há muita!!

Fica bem e boas conversas!
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Depois de uma prova dessas tens o desplante de aparecer aqui? :D
Não vou insistir mais no tema do Chavez, averiguei a questão do ministério público em relação ao referendo de 2004 por ter assumido que estávamos a falar sobre esse, ainda bem que perguntei e não levaste a mal a pergunta. Vou indagar sobre essas queixas e sobre outras questões que abordaste em posts anteriores que não ficaram esquecidas e que considerei de importância capital. Sejam quais forem as conclusões, ou os resultados que apurar, hei-de postar aqui. Mas não te sintas na obrigação de comentar ou acrescentar alguma coisa, já percebi que é um assunto perturbador para ti e é suposto estares nisto das corridas para te divertir. Mas, se te apetecer comentar, farás muito feliz aqui o teu companheiro de corridas de fim de semana. Se alguém te falar no outro que dizia mal de Cuba, que convidei para passar um fim de semana em Sintra e nunca mais foi visto, nego tudo. :D Trata de arranjar tempo para uma visita. Na funrace de domingo reconheces-me pelas trajectórias excêntricas que costumo usar e por usar o carro da frente como travão na abordagem das curvas. :D
[Image: celeritas_sig.png]
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Voltando ao assunto original, este "cartoon" mostra que afinal a "queda" do comunismo não foi uma verdadeira queda, mas sim uma mudança de estratégia. :D

[Image: communism.jpg]
[Image: celeritas_sig.png]
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ArrayVoltando ao assunto original, este "cartoon" mostra que afinal a "queda" do comunismo não foi uma verdadeira queda, mas sim uma mudança de estratégia. :D

[Image: communism.jpg][/quote]

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Muito bom...
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alguem ja teve na China?
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Arrayalguem ja teve na China?[/quote]

Eu não, normalmente vou de férias para a coreia do norte...:biggrinbandit:
olo
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ArrayEu não, normalmente vou de férias para a coreia do norte...:biggrinbandit:[/quote]

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