21-08-2007, 10:55 AM
Gostei da forma equilibrada como exprimiste as tuas ideias, Toni.
ArrayOra aí está! É justo restituir o nome original da Ponte Salazar... nem que seja para relembrar o tempo em que as obras públicas eram de confiança e não sorviam o nosso dinheiro. O governo "democrático", em vez de andar a acusar pessoas que não falam bem do governo e em vez de andar a ouvir os "bufos" da função pública, já podia era fazer manutenção à ponte.[/quote]
Concordo que foi uma decisão precipitada mudar o nome da ponte (ainda que pouco importante), mas seria procaz reverter para o nome original passados mais de trinta anos. Seria interpretado como uma homenagem ao fascismo e isso implicaria mais consequências nefastas do que benéficas. Penso que nem sequer existe uma hipótese realista de isso acontecer.
ArrayNão vou dizer que o Estado Novo foi bom, porque como um todo, é impossível... teve coisas boas, e obviamente teve coisas más. Não enfrentámos a 2ª Guerra Mundial, mas depois não conseguimos crescer ao ritmo. O Plano Marshall também não nos pagou esse crescimento como fez ao resto da Europa (penso que Portugal recebeu uns milhoes, mas obviamente muito menos que os outros!)
António Guterres teve que sair para evitar o "pântano político". Barroso teve que sair para encher o bolso. Santana Lopes teve que sair quando o PS encontrou um líder "forte" para voltar ao poder... Estes ultimos 10 anos da política portuguesa envergonham-me como português, e o nosso grande problema é a MEMÓRIA.[/quote]
É verdade que Portugal não entrou na Segunda Guerra Mundial, mas não havia nenhum motivo objectivo para entrar nessa guerra, tal ideia nem sequer chegou a ser ponderada como opção. Não chegou a tratar-se de uma escolha propriamente dita. O compromisso que foi assumido consistiu numa infame "neutralidade colaborante" com os nazis e fascistas. Mesmo assim, por questões meramente estratégicas, Portugal recebeu créditos do plano Marshall, esteve entre os fundadores da NATO em 1949 e assinou o famoso acordo bilateral com os Estados Unidos.
Por outro lado, acabámos por enfrentar uma guerra colonial(ista), sem qualquer justificação política, que foi travada em várias frentes e com custos desastrosos em termos de perda de vidas humanas (de ambos os lados) e também em termos económicos (faz lembrar a famigerada fórmula V=42n). Os feridos de guerra, em muitos casos, no regresso a Portugal, passaram a viver em condições miseráveis e sem direito a qualquer tipo de assistência médica ou social. Foi uma situação que me parece substancialmente incompatível com a "integridade moral" que tantas vezes é atribuída à figura de Salazar.
Não te envergonhes por causa da Nacionalidade, não só não tens culpa alguma pelo que aconteceu e acontece como também nem sequer pudeste escolhê-la.
ArrayTemos pouca memória, e isso implica muitas coisas. Implica enfrentar o Estado Novo como algo enigmático e incómodo, implica enfrentar o pós-25 de Abril como algo "mais ou menos, benéfico" (período 74-25 de Novembro de 75), implica enfrentar os ultimos 10 anos como "Democracia". Isso também implica que os partidos do poder (aka Bloco Central - PS/PSD "a sopa passada, sabe tudo igual") possam gozar conosco e fazer tudo o que querem: enriquecer, corromper e hipotecar o futuro dos nossos filhos. Este governo vai endireitar as finanças, acredito que sim, mas apenas o défice. Portugal fica pobre, porque não come "défice" ao almoço. Nas nossas escolas, a miséria mental prolifera, os professores são menosprezados e desmotivados, os alunos são mal ensinados, principalmente em casa. A futura mão-de-obra do nosso país será um conjunto de individuos acéfalos que pedirão uma fortuna para fazer um trabalho mal feito. Eu pertenço a essa faixa etária, e espero que o tempo não me deia razão.[/quote]
As arbitrariedades deste e de governos anteriores não justificam de modo nenhum o "branqueamento" do fascismo (também não é isso que estás a fazer), por mais confrangedora que seja a situação neste momento, no plano económico e social (eu sou o primeiro a criticar as políticas exercidas por qualquer governo legitimamente eleito depois do 25 de abril), são contextos e momentos históricos absolutamente díspares. No tempo do "estado novo", nem sequer existia acesso universal ao ensino, quanto mais incentivos ao prosseguimento de estudos (era Salazar quem dizia que um povo instruído é também um povo ingovernável) e a "mão de obra" era, em quase todos os casos, totalmente inqualificada. A solução para os problemas actuais não está no regresso à ditadura está, pelo contrário, no reforço da democraticidade nas instituições públicas e estruturas ligadas ao estado e em privilegiar a participação de todos nesses processos democráticos.
ArrayDitadura? NÃO. A actual democracia, TAMBÉM NÃO. Tudo começa pela educação (escola e casa). Se isso não existe, não teremos funcionários honestos e incorruptíveis, não teremos cidadãos capazes de saber em quem votam e exercer os seus direitos e deveres, não teremos políticos capazes e com amor à sua pátria.[/quote]
A educação que as pessoas recebem em casa, felizmente, não é responsabilidade directa do estado, mas o dever de garantir informação equilibrada e universal assim como o acesso ao ensino público já faz parte das suas responsabilidades. São duas condições essenciais para que exista democracia em vez de apenas a aparência de uma. No tempo de Salazar, nem toda a gente tinha direito a voto, nem sequer tentavam disfarçar.
Mas é também por isso que concordo com o que disseste, "ditadura não, a actual democracia, também não", é preciso trabalhar no sentido das conquistas democráticas, obrigar o estado a respeitar os nossos direitos, liberdades e garantias que são de importância axial para o funcionamento de um modelo democrático e tomada informada e consciente de decisões. Só através da igualdade no acesso às funções sociais do estado se atinge plenamente a democracia.
ArrayP.S. Ainda estou a recuperar do choque de ver os idosos de Cabeceiras de Basto numa excursão à sede de campanha do PS das eleições de Lisboa... Vá lá que depois lá os levaram a Fátima...[/quote]
:D
ArrayOra aí está! É justo restituir o nome original da Ponte Salazar... nem que seja para relembrar o tempo em que as obras públicas eram de confiança e não sorviam o nosso dinheiro. O governo "democrático", em vez de andar a acusar pessoas que não falam bem do governo e em vez de andar a ouvir os "bufos" da função pública, já podia era fazer manutenção à ponte.[/quote]
Concordo que foi uma decisão precipitada mudar o nome da ponte (ainda que pouco importante), mas seria procaz reverter para o nome original passados mais de trinta anos. Seria interpretado como uma homenagem ao fascismo e isso implicaria mais consequências nefastas do que benéficas. Penso que nem sequer existe uma hipótese realista de isso acontecer.
ArrayNão vou dizer que o Estado Novo foi bom, porque como um todo, é impossível... teve coisas boas, e obviamente teve coisas más. Não enfrentámos a 2ª Guerra Mundial, mas depois não conseguimos crescer ao ritmo. O Plano Marshall também não nos pagou esse crescimento como fez ao resto da Europa (penso que Portugal recebeu uns milhoes, mas obviamente muito menos que os outros!)
António Guterres teve que sair para evitar o "pântano político". Barroso teve que sair para encher o bolso. Santana Lopes teve que sair quando o PS encontrou um líder "forte" para voltar ao poder... Estes ultimos 10 anos da política portuguesa envergonham-me como português, e o nosso grande problema é a MEMÓRIA.[/quote]
É verdade que Portugal não entrou na Segunda Guerra Mundial, mas não havia nenhum motivo objectivo para entrar nessa guerra, tal ideia nem sequer chegou a ser ponderada como opção. Não chegou a tratar-se de uma escolha propriamente dita. O compromisso que foi assumido consistiu numa infame "neutralidade colaborante" com os nazis e fascistas. Mesmo assim, por questões meramente estratégicas, Portugal recebeu créditos do plano Marshall, esteve entre os fundadores da NATO em 1949 e assinou o famoso acordo bilateral com os Estados Unidos.
Por outro lado, acabámos por enfrentar uma guerra colonial(ista), sem qualquer justificação política, que foi travada em várias frentes e com custos desastrosos em termos de perda de vidas humanas (de ambos os lados) e também em termos económicos (faz lembrar a famigerada fórmula V=42n). Os feridos de guerra, em muitos casos, no regresso a Portugal, passaram a viver em condições miseráveis e sem direito a qualquer tipo de assistência médica ou social. Foi uma situação que me parece substancialmente incompatível com a "integridade moral" que tantas vezes é atribuída à figura de Salazar.
Não te envergonhes por causa da Nacionalidade, não só não tens culpa alguma pelo que aconteceu e acontece como também nem sequer pudeste escolhê-la.
ArrayTemos pouca memória, e isso implica muitas coisas. Implica enfrentar o Estado Novo como algo enigmático e incómodo, implica enfrentar o pós-25 de Abril como algo "mais ou menos, benéfico" (período 74-25 de Novembro de 75), implica enfrentar os ultimos 10 anos como "Democracia". Isso também implica que os partidos do poder (aka Bloco Central - PS/PSD "a sopa passada, sabe tudo igual") possam gozar conosco e fazer tudo o que querem: enriquecer, corromper e hipotecar o futuro dos nossos filhos. Este governo vai endireitar as finanças, acredito que sim, mas apenas o défice. Portugal fica pobre, porque não come "défice" ao almoço. Nas nossas escolas, a miséria mental prolifera, os professores são menosprezados e desmotivados, os alunos são mal ensinados, principalmente em casa. A futura mão-de-obra do nosso país será um conjunto de individuos acéfalos que pedirão uma fortuna para fazer um trabalho mal feito. Eu pertenço a essa faixa etária, e espero que o tempo não me deia razão.[/quote]
As arbitrariedades deste e de governos anteriores não justificam de modo nenhum o "branqueamento" do fascismo (também não é isso que estás a fazer), por mais confrangedora que seja a situação neste momento, no plano económico e social (eu sou o primeiro a criticar as políticas exercidas por qualquer governo legitimamente eleito depois do 25 de abril), são contextos e momentos históricos absolutamente díspares. No tempo do "estado novo", nem sequer existia acesso universal ao ensino, quanto mais incentivos ao prosseguimento de estudos (era Salazar quem dizia que um povo instruído é também um povo ingovernável) e a "mão de obra" era, em quase todos os casos, totalmente inqualificada. A solução para os problemas actuais não está no regresso à ditadura está, pelo contrário, no reforço da democraticidade nas instituições públicas e estruturas ligadas ao estado e em privilegiar a participação de todos nesses processos democráticos.
ArrayDitadura? NÃO. A actual democracia, TAMBÉM NÃO. Tudo começa pela educação (escola e casa). Se isso não existe, não teremos funcionários honestos e incorruptíveis, não teremos cidadãos capazes de saber em quem votam e exercer os seus direitos e deveres, não teremos políticos capazes e com amor à sua pátria.[/quote]
A educação que as pessoas recebem em casa, felizmente, não é responsabilidade directa do estado, mas o dever de garantir informação equilibrada e universal assim como o acesso ao ensino público já faz parte das suas responsabilidades. São duas condições essenciais para que exista democracia em vez de apenas a aparência de uma. No tempo de Salazar, nem toda a gente tinha direito a voto, nem sequer tentavam disfarçar.
Mas é também por isso que concordo com o que disseste, "ditadura não, a actual democracia, também não", é preciso trabalhar no sentido das conquistas democráticas, obrigar o estado a respeitar os nossos direitos, liberdades e garantias que são de importância axial para o funcionamento de um modelo democrático e tomada informada e consciente de decisões. Só através da igualdade no acesso às funções sociais do estado se atinge plenamente a democracia.
ArrayP.S. Ainda estou a recuperar do choque de ver os idosos de Cabeceiras de Basto numa excursão à sede de campanha do PS das eleições de Lisboa... Vá lá que depois lá os levaram a Fátima...[/quote]
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![[Image: celeritas_sig.png]](http://i182.photobucket.com/albums/x153/el_pombo/celeritas_sig.png)
