31-07-2007, 12:17 PM
A responsabilidade de uma empresa pelo comportamento dos trabalhadores insere-se apenas dentro do contexto laboral, que tem espaços específicos. É um conceito que não se estende à esfera pessoal e exterior ao trabalho. Um empregado não é propriedade da empresa. A casa de Coughlan é um espaço que está definitivamente fora desta definição, pelo menos num caso destes. Aquilo que se sabe é que alguém dentro da Ferrari, presumidamente Stepney, entregou os planos a Coughlan. Receber esses ficheiros com os planos do carro da Ferrari, na sua própria casa, é um acto que está fora do plano profissional (a menos que tenha sido comprovadamente sancionado pela equipa). Desde que os dados não sejam explícitamente transferidos para as instalações da McLaren, a equipa não pode, a meu ver, ser responsabilizada (já que não estará a usá-los e nem sabe sequer que existem). Teoricamente, Coughlan pode ter ficado com os desenhos do carro sem nunca ter olhado para eles e, ficar com eles, não se enquadra dentro da definição de receptação. Mesmo nessa situação, penso que existe uma fronteira muito diáfana entre o legítimo e o ilegítimo (não sei o que diz o código desportivo sobre isso), se a Mclaren for responsável pela recepção dos dados da parte de Coughlan, não será a Ferrari igualmente responsável pela sua divulgação? Foi um empregado da Ferrari quem divulgou os dados (e foi despedido por isso, já que os roubou), por esse prisma, que culpa tem a McLaren? Se Stepney se lembrasse de pôr os planos do carro na Internet a Mclaren estaria proibida de abrir esse site? E deveria ser penalizada? Do ponto de vista desportivo, seria pouco correcto, é certo, mas envolve processos de tamanha subjectividade que penso não deverem ser interpelados pelos regulamentos desportivos, que têm um alcance muito maior do que, por exemplo, o código legal, que provavelmente ilibaria Coughlan e a Mclaren. Não pretendo com isto defender a McLaren ou a espionagem, embora simpatize com a Mclaren, por mim, bem podem acabar com ela que tanto me faz. Estou a dar prioridade à presunção de inocência, à separação das responsabilidadess e ao rigor. Provavelmente, como diz o Berto (que percebe muito mais disto do que eu), a McLaren, segundo o código desportivo, pode mesmo ser culpada (não faço ideia do que diz o ponto dos regulamentos que dizem ter sido violado) mas, nesse caso, parece-me um regulamento injusto. O Marco tem razão quando diz que é tudo uma cambada de corruptos, eu também acho que sim, mas uma coisa é o que eu acho outra coisa é o que posso provar, e só o que pode ser provado importa. Eu também sei que o Marco não é o Pai Natal, mas prová-lo, pode ser um pouco mais complicado.
![[Image: celeritas_sig.png]](http://i182.photobucket.com/albums/x153/el_pombo/celeritas_sig.png)
