28-07-2007, 09:46 PM
Desculpem a extensão do post. Gostava que pelo menos o Marco lesse e depois dissesse o que acha, isto foi escrito com base nas informações que tenho, mas vocês estão mais por dentro do assunto do que eu e podem acrescentar coisas que venham contradizer ou confirmar estas.
Sobre a espionagem
Acho que há várias questões a ser analisadas dentro desta problemática da espionagem na Formula 1. Há, à partida, duas dimensões a estudar, uma desportiva, outra judicial. Neste caso, apenas a desportiva nos interessa. Sei muito poucas coisas sobre este caso, apenas o que li nos jornais. Foi provado que um engenheiro da Mclaren (Coughlan) estava na posse de todo o tipo de informações sensíveis sobre os planos do carro da Ferrari. Não foi possivel provar que essas informações tenham sido usadas nos carros da McLaren. Até para um leigo completo no assunto como eu é fácil compreender que a tecnologia usada num carro de Formula 1 é altamente minuciosa e não seria fácil incorporar as soluções encontradas pela Ferrari num carro da McLaren. Nas palavras de alguém da McLaren "não há propriedade intelectual da Ferrari presente no carro da McLaren". Do ponto de vista da FIA, a questão extingue-se aí, na minha opinião, essa é apenas uma face de um problema multifacetado. Não poder integrar as informações contrabandeadas no carro da McLaren não representa o fim das vantagens que poderiam ser extraídas por essa equipa. Pelo que li, os 700 ficheiros que Stepney (engenheiro da Ferrari) entregou a Coughlan, contemplavam aspectos como o tamanho do tanque de combustível, as taxas de consumo, o desgaste nos pneus e a forma como o carro se comporta sob diferentes condições em pista. Esas informações são de importância vital para conceber estratégias de corrida capazes de suplantar a concorrência, são informações que, isoladamente, podem fazer a diferença entre ganhar ou perder um campeonato de pilotos e construtores, mesmo sem serem usadas objectivamente nos carros. Foi este aspecto que a FIA, aparentemente, optou por ignorar quando veicularam as conclusões da deliberação que foi feita para decidir sobre as penalizações. Mesmo que esta questão não tivesse sido deliberadamente sonegada, dificilmente as conclusões teriam sido diferentes, dada a impossibilidade de provar o uso dessas informações dentro de um plano tão subjectivo como as estratégias usadas em pista. Curiosamente, o periodo em que a McLaren melhor foi capaz de dar resposta à Ferrari foi nos grandes prémios subsequentes à suposta entrega das informações por Stepney a Coughlan. Já no início do campeonato a McLaren denunciou à FIA a ilegalidade do fundo do carro da Ferrari, algo difícil de apurar sem acesso a informações privilegiadas (embora isto mostre que ninguém joga limpo na Formula 1). O descontentamento do Marco é inteiramente compreensível. As informações foram encontradas em casa de um engenheiro da McLaren, ouvi falar em "informações ilegais", mas nenhuma informação é "ilegal", ninguém está proibido pela lei de saber uma determinada coisa. O conhecimento, felizmente, não tem limites. O MODO como as informações chegaram a esse engenheiro é que é relevante, se fosse possível provar que a McLaren instruiu esse engenheiro no sentido de obter as informações do seu congénere da Ferrari ou tivesse pago pelas informações a esse engenheiro, o caso estaria resolvido. Não é isso que acontece. Desde o momento em que é verificado que as informações estão na posse de Coughlan, por tudo o que sabe, até pode ter sido a Ferrari a cedê-las voluntariamente. São essas circunstâncias que interessa determinar. É escandalosamente evidente que a McLaren beneficiou destas informações. Não obstante, a acreditar na impossibilidade de provar o uso das informações, a FIA tomou a decisão certa pelos motivos errados. A decisão foi tomada não em persecução da verdade e justiça desportiva mas sim para manter as audiências do campeonato do mundo de Formula 1 que estão a crescer, com a competitividade e incerteza que tem havido esta temporada. A decisão de não penalizar, de momento, a McLaren, deveria ter sido tomada unicamente porque, até agora, todas as provas que existem contra ela são meramente circunstanciais, e não cabe à McLaren provar a sua inocência mas sim à FIA provar a culpa dessa escudaria. O facto de um engenheiro da McLaren ter dentro de casa os desenhos do carro da Ferrari não implica uma responsabilidade directa nem penalizações para a equipa, a direcção da equipa só é responsável pelo que acontece dentro das instalações da própria equipa, não pelo que os seus engenheiros têm em casa. Em conclusão, o que quero dizer é que a McLaren, presumivelmente inocente, não pode ser condenada com base em algo tão subjectivo como "toda a gente sabe que(...)", é claro que toda a gente sabe que houve espionagem mas, ou há provas conclusivas, ou não há. Se for realmente verdade que não existem provas, então, a bem de um sistema que deve ser fundamentado em princípios justos e objectivos, acho correcto não ter havido penalizações. Espero que, no futuro, a McLaren, tal como todas as outras equipas, venham a ser apanhadas e penalizadas. Diz-se que a Formula 1 é o "Continental Circus", este epíteto é especialmente verdadeiro agora, num momento em que o circo está a ser gerido por palhaços.
Sobre a espionagem
Acho que há várias questões a ser analisadas dentro desta problemática da espionagem na Formula 1. Há, à partida, duas dimensões a estudar, uma desportiva, outra judicial. Neste caso, apenas a desportiva nos interessa. Sei muito poucas coisas sobre este caso, apenas o que li nos jornais. Foi provado que um engenheiro da Mclaren (Coughlan) estava na posse de todo o tipo de informações sensíveis sobre os planos do carro da Ferrari. Não foi possivel provar que essas informações tenham sido usadas nos carros da McLaren. Até para um leigo completo no assunto como eu é fácil compreender que a tecnologia usada num carro de Formula 1 é altamente minuciosa e não seria fácil incorporar as soluções encontradas pela Ferrari num carro da McLaren. Nas palavras de alguém da McLaren "não há propriedade intelectual da Ferrari presente no carro da McLaren". Do ponto de vista da FIA, a questão extingue-se aí, na minha opinião, essa é apenas uma face de um problema multifacetado. Não poder integrar as informações contrabandeadas no carro da McLaren não representa o fim das vantagens que poderiam ser extraídas por essa equipa. Pelo que li, os 700 ficheiros que Stepney (engenheiro da Ferrari) entregou a Coughlan, contemplavam aspectos como o tamanho do tanque de combustível, as taxas de consumo, o desgaste nos pneus e a forma como o carro se comporta sob diferentes condições em pista. Esas informações são de importância vital para conceber estratégias de corrida capazes de suplantar a concorrência, são informações que, isoladamente, podem fazer a diferença entre ganhar ou perder um campeonato de pilotos e construtores, mesmo sem serem usadas objectivamente nos carros. Foi este aspecto que a FIA, aparentemente, optou por ignorar quando veicularam as conclusões da deliberação que foi feita para decidir sobre as penalizações. Mesmo que esta questão não tivesse sido deliberadamente sonegada, dificilmente as conclusões teriam sido diferentes, dada a impossibilidade de provar o uso dessas informações dentro de um plano tão subjectivo como as estratégias usadas em pista. Curiosamente, o periodo em que a McLaren melhor foi capaz de dar resposta à Ferrari foi nos grandes prémios subsequentes à suposta entrega das informações por Stepney a Coughlan. Já no início do campeonato a McLaren denunciou à FIA a ilegalidade do fundo do carro da Ferrari, algo difícil de apurar sem acesso a informações privilegiadas (embora isto mostre que ninguém joga limpo na Formula 1). O descontentamento do Marco é inteiramente compreensível. As informações foram encontradas em casa de um engenheiro da McLaren, ouvi falar em "informações ilegais", mas nenhuma informação é "ilegal", ninguém está proibido pela lei de saber uma determinada coisa. O conhecimento, felizmente, não tem limites. O MODO como as informações chegaram a esse engenheiro é que é relevante, se fosse possível provar que a McLaren instruiu esse engenheiro no sentido de obter as informações do seu congénere da Ferrari ou tivesse pago pelas informações a esse engenheiro, o caso estaria resolvido. Não é isso que acontece. Desde o momento em que é verificado que as informações estão na posse de Coughlan, por tudo o que sabe, até pode ter sido a Ferrari a cedê-las voluntariamente. São essas circunstâncias que interessa determinar. É escandalosamente evidente que a McLaren beneficiou destas informações. Não obstante, a acreditar na impossibilidade de provar o uso das informações, a FIA tomou a decisão certa pelos motivos errados. A decisão foi tomada não em persecução da verdade e justiça desportiva mas sim para manter as audiências do campeonato do mundo de Formula 1 que estão a crescer, com a competitividade e incerteza que tem havido esta temporada. A decisão de não penalizar, de momento, a McLaren, deveria ter sido tomada unicamente porque, até agora, todas as provas que existem contra ela são meramente circunstanciais, e não cabe à McLaren provar a sua inocência mas sim à FIA provar a culpa dessa escudaria. O facto de um engenheiro da McLaren ter dentro de casa os desenhos do carro da Ferrari não implica uma responsabilidade directa nem penalizações para a equipa, a direcção da equipa só é responsável pelo que acontece dentro das instalações da própria equipa, não pelo que os seus engenheiros têm em casa. Em conclusão, o que quero dizer é que a McLaren, presumivelmente inocente, não pode ser condenada com base em algo tão subjectivo como "toda a gente sabe que(...)", é claro que toda a gente sabe que houve espionagem mas, ou há provas conclusivas, ou não há. Se for realmente verdade que não existem provas, então, a bem de um sistema que deve ser fundamentado em princípios justos e objectivos, acho correcto não ter havido penalizações. Espero que, no futuro, a McLaren, tal como todas as outras equipas, venham a ser apanhadas e penalizadas. Diz-se que a Formula 1 é o "Continental Circus", este epíteto é especialmente verdadeiro agora, num momento em que o circo está a ser gerido por palhaços.
![[Image: celeritas_sig.png]](http://i182.photobucket.com/albums/x153/el_pombo/celeritas_sig.png)
