11-07-2007, 10:57 AM
(This post was last modified: 11-07-2007, 11:03 AM by Mario Esteves.)
Dijon Prenois, França
Ao contrário do que tem sido habitual, desta vez a TMM deslocou-se a França com muito pouco tempo para treinar.
Compromissos durante o Fim de Semana anterior a propósito do Grande Prémio do Porto ditaram que o Piloto oficial da TMM só chegasse a Dijon na madrugada de Segunda-feira. Com tão pouco tempo disponível, impunha-se um calendário muito preenchido por forma a rentabilizar ao máximo os 2 dias de trabalho que restavam antes desta prova.
Este circuito Francês, situado em Prenois, perto de Dijon, foi inaugurado em 26 de Maio de 1972 e tinha um perímetro de 3,289 Km. Em 1975, foi alargado para 3,801Km. Sempre dispôs de uma largura entre os 9.25m e os 10 m.
Trata-se de um circuito técnico, onde vinga a condução com o coração - a prova disto pode ser retirada da observação das imagens televisivas do famoso duelo entre o Gilles Villeneuve e o René Arnoux aquando da realização do GP de Fórmula 1 em 1979. De facto, curvas como a Villeroy seguida dos esses de Sabliers permitem distinguir os Homens dos meninos, e a sequência final das curvas La Combe e Pouas permitem fazer a diferença entre um bom e um mau tempo. As ultrapassagens ocorrem por norma no final da recta da meta travagem para Villeroy onde se chegam a atingir velocidades acima dos 300 Km/h.
Treinos Livres
Em face destes dados, a Equipa Técnica da TMM optou por um setup conservador.
Muito apoio aerodinâmico, suspensões duras do lado esquerdo e médias do lado direito e um Toe-In frontal com valores acima do normal, permitiam ao Piloto da TMM - com total segurança - efectuar tempos no segundo 16. Foram testados outros setups onde se conseguia rodar no segundo 15 e até no segundo 14 alto, isto em versão race, mas o Piloto da TMM nunca se sentiu seguro com tais afinações.
Deste modo ficou logo decidido que a corrida seria efectuada com o tal setup conservador, usando-se pneus Soft-Soft. Os mapas de travagem foram revistos e a equipa montou travões de disco com o máximo diâmetro disponível, não obstante optar por ducts de abertura média. No final da recta da meta o ponteiro chegava aos 290 Km/h nada de especial para este circuito. Assim, preocupados com a tracção mecânica em detrimento da aerodinâmica, os técnicos da TMM acertaram as relações de caixa a preceito. Tal conjunto de afinações permitia abordagens corajosas à curva Villeroy e um comportamento altamente estável nos esses de Sábliers. Procurou-se assim contrabalançar a desvantagem desta afinação, face à dos outros concorrentes, mediante a possibilidade de fortes ataques nestes segmentos do circuito.
Já no que respeita à afinação para a versão de qualificação, os Técnicos da TMM NUNCA conseguiram um acerto eficaz. De facto, e por razões que se prendem com a camada de asfalto do circuito e consequente falta de grip, os pneus de qualificação fornecidos pela Michelin nunca se comportaram à altura dos acontecimentos, provocando enormes dores de cabeça ao Piloto da TMM, de tal modo, que este propôs à equipa fazer a Qualificação com pneus Soft-Soft, bem mais eficazes, por sinal.
A concorrência foi de altíssimo nível, o que, neste circuito, que consideramos dos mais exigentes deste campeonato, representa a alma de leão (ou de dragão) deste magnifico conjunto de cavaleiros do asfalto.
Qualificação
No mínimo a sessão de Qualificação correu muito mal. Apenas foi conseguida uma volta mais ou menos limpa e, com pneus de Qualificação, consegui um tempo igual ao que em corridas treino e com setup de Race conseguia com o depósito a meio : rodar no segundo 15. Partimos na 10º posição...
Corrida
A partida decorreu com a normalidade habitual de quem não usa embraiagem : devagar.
Como é habitual, conduzo mais para trás do que para a frente, pelo que não tirava os olhos dos espelhos esperando a todo o tempo levar com um Renault que estava atrás de mim. Felizmente não aconteceu!
As primeiras voltas foram dadas a 80% da potência e, em pouco tempo já estava em sétimo. Muita, muita asneira de outros concorrentes! Toques inacreditáveis aconteceram mesmo à minha frente, pondo de fora um ou até os dois intervenientes, despistes, saídas, entradas à papo-seco, carros atravessados a ocupar a pista toda, enfim, parecia que valia de tudo neste GP. Claro que com todos estes incidentes a concentração estava complicada mas, não obstante, estava a rodar em 1:16.2XX o que me permitia ter algumas esperanças na corrida. O Berto seguia à minha frente e levava cerca de 3 a 4 segundos de avanço. Não estava preocupado, pois eu tinha um carro com um acerto magnifico e, mal passassem estes primeiros momentos de enorme stress e os restantes pilotos começassem a tripular os carros, tudo voltaria à normalidade. Isto é, eu passaria a rodar no segundo 15 baixo o que, com toda a certeza, me permitira ir buscar o Berto ou pelo menos fazer-lhe pressing. Entre estes pensamentos fui ultrapassado pelo J Oliveira. Foi uma ultrapassagem clássica: o Oliveira colocou-se no meu cone de aspiração, passou-me e...voltou a colocar-se na minha frente. Como é óbvio, agora estava eu no cone de aspiração dele. O T4 começou a ganhar cada vez mais velocidade e, como já não sou propriamente novato nestas coisas, imediatamente me afastei para o lado direito da pista por forma a sair do cone e efectuar a travagem para a T1 com a maior das seguranças. Tudo correu bem e limpinho, como é próprio de dois cavaleiros do asfalto.
O problemas viria na volta seguinte. Já sem tráfego a perturbar a minha condução, decidi começar atacar. Abordo a Pouas a fundo, entro na recta da meta, troco de caixa, e atinjo os 295 km/h. Travo para Villeroy, de 5ª para 4ª e 3ª, mais um toque no travão e engreno a 2ª e abordo a famigerada curva no limite da aderência. Ao longe na areia vejo um concorrente a iniciar o seu regresso à pista junto aos esses de Sábliers...
O que se passou a seguir já pertence à história, mas, mesmo assim, aqui vai: o outro concorrente entra em pista e coloca-se mesmo na minha trajectória obrigando-me a travar a fundo, no limite, por forma a não lhe tocar na traseira. A volta já estava estragada. A travagem para a curva seguinte como é efectuada duma forma doce, não causou qualquer problema. Faço a travagem, abordo a curva em segunda velocidade e, à saída, acelero com toda a força descendo em direcção à parabólica. Terceira, quarta, travo e reduzo, terceira, segunda, mais um toque no travão e...o carro vai em frente como se, subitamente me tivessem tirado a aderência toda. A pista parecia um ringue de gelo e o toque mais ou menos violento nos rails foi inevitável. A suspensão frente esquerda cedeu e a direcção ficou a 30 graus. Já não havia mais nada a fazer. Calmamente dirigi-me às boxes. Troquei de pneus mas encostei logo na saída das boxes pois o carro estava inguiável.. Estava furioso! Não sei se com o concorrente que me obrigou a tal travagem, se com o facto de eu não me ter lembrado que, após travagem tão violenta, os pneus estariam afectados, pelo que deveria ter procedido com mais cuidado.
Escrevo estas breves palavras a bordo do Gulfstream V, a caminho de Barcelona onde, na próxima Quinta-feira irei disputar a penúltima corrida do Campeonato GTR2. Seguir-se-á o GP Histórico do Porto. Infelizmente a TMM não irá participar neste último. Mas lá estarei para apoiar e rever velhos compinchas. A festa (re) começa na próxima Sexta-feira! E bem cedo...
Até lá,
ME
Ao contrário do que tem sido habitual, desta vez a TMM deslocou-se a França com muito pouco tempo para treinar.
Compromissos durante o Fim de Semana anterior a propósito do Grande Prémio do Porto ditaram que o Piloto oficial da TMM só chegasse a Dijon na madrugada de Segunda-feira. Com tão pouco tempo disponível, impunha-se um calendário muito preenchido por forma a rentabilizar ao máximo os 2 dias de trabalho que restavam antes desta prova.
Este circuito Francês, situado em Prenois, perto de Dijon, foi inaugurado em 26 de Maio de 1972 e tinha um perímetro de 3,289 Km. Em 1975, foi alargado para 3,801Km. Sempre dispôs de uma largura entre os 9.25m e os 10 m.
Trata-se de um circuito técnico, onde vinga a condução com o coração - a prova disto pode ser retirada da observação das imagens televisivas do famoso duelo entre o Gilles Villeneuve e o René Arnoux aquando da realização do GP de Fórmula 1 em 1979. De facto, curvas como a Villeroy seguida dos esses de Sabliers permitem distinguir os Homens dos meninos, e a sequência final das curvas La Combe e Pouas permitem fazer a diferença entre um bom e um mau tempo. As ultrapassagens ocorrem por norma no final da recta da meta travagem para Villeroy onde se chegam a atingir velocidades acima dos 300 Km/h.
Treinos Livres
Em face destes dados, a Equipa Técnica da TMM optou por um setup conservador.
Muito apoio aerodinâmico, suspensões duras do lado esquerdo e médias do lado direito e um Toe-In frontal com valores acima do normal, permitiam ao Piloto da TMM - com total segurança - efectuar tempos no segundo 16. Foram testados outros setups onde se conseguia rodar no segundo 15 e até no segundo 14 alto, isto em versão race, mas o Piloto da TMM nunca se sentiu seguro com tais afinações.
Deste modo ficou logo decidido que a corrida seria efectuada com o tal setup conservador, usando-se pneus Soft-Soft. Os mapas de travagem foram revistos e a equipa montou travões de disco com o máximo diâmetro disponível, não obstante optar por ducts de abertura média. No final da recta da meta o ponteiro chegava aos 290 Km/h nada de especial para este circuito. Assim, preocupados com a tracção mecânica em detrimento da aerodinâmica, os técnicos da TMM acertaram as relações de caixa a preceito. Tal conjunto de afinações permitia abordagens corajosas à curva Villeroy e um comportamento altamente estável nos esses de Sábliers. Procurou-se assim contrabalançar a desvantagem desta afinação, face à dos outros concorrentes, mediante a possibilidade de fortes ataques nestes segmentos do circuito.
Já no que respeita à afinação para a versão de qualificação, os Técnicos da TMM NUNCA conseguiram um acerto eficaz. De facto, e por razões que se prendem com a camada de asfalto do circuito e consequente falta de grip, os pneus de qualificação fornecidos pela Michelin nunca se comportaram à altura dos acontecimentos, provocando enormes dores de cabeça ao Piloto da TMM, de tal modo, que este propôs à equipa fazer a Qualificação com pneus Soft-Soft, bem mais eficazes, por sinal.
A concorrência foi de altíssimo nível, o que, neste circuito, que consideramos dos mais exigentes deste campeonato, representa a alma de leão (ou de dragão) deste magnifico conjunto de cavaleiros do asfalto.
Qualificação
No mínimo a sessão de Qualificação correu muito mal. Apenas foi conseguida uma volta mais ou menos limpa e, com pneus de Qualificação, consegui um tempo igual ao que em corridas treino e com setup de Race conseguia com o depósito a meio : rodar no segundo 15. Partimos na 10º posição...
Corrida
A partida decorreu com a normalidade habitual de quem não usa embraiagem : devagar.
Como é habitual, conduzo mais para trás do que para a frente, pelo que não tirava os olhos dos espelhos esperando a todo o tempo levar com um Renault que estava atrás de mim. Felizmente não aconteceu!
As primeiras voltas foram dadas a 80% da potência e, em pouco tempo já estava em sétimo. Muita, muita asneira de outros concorrentes! Toques inacreditáveis aconteceram mesmo à minha frente, pondo de fora um ou até os dois intervenientes, despistes, saídas, entradas à papo-seco, carros atravessados a ocupar a pista toda, enfim, parecia que valia de tudo neste GP. Claro que com todos estes incidentes a concentração estava complicada mas, não obstante, estava a rodar em 1:16.2XX o que me permitia ter algumas esperanças na corrida. O Berto seguia à minha frente e levava cerca de 3 a 4 segundos de avanço. Não estava preocupado, pois eu tinha um carro com um acerto magnifico e, mal passassem estes primeiros momentos de enorme stress e os restantes pilotos começassem a tripular os carros, tudo voltaria à normalidade. Isto é, eu passaria a rodar no segundo 15 baixo o que, com toda a certeza, me permitira ir buscar o Berto ou pelo menos fazer-lhe pressing. Entre estes pensamentos fui ultrapassado pelo J Oliveira. Foi uma ultrapassagem clássica: o Oliveira colocou-se no meu cone de aspiração, passou-me e...voltou a colocar-se na minha frente. Como é óbvio, agora estava eu no cone de aspiração dele. O T4 começou a ganhar cada vez mais velocidade e, como já não sou propriamente novato nestas coisas, imediatamente me afastei para o lado direito da pista por forma a sair do cone e efectuar a travagem para a T1 com a maior das seguranças. Tudo correu bem e limpinho, como é próprio de dois cavaleiros do asfalto.
O problemas viria na volta seguinte. Já sem tráfego a perturbar a minha condução, decidi começar atacar. Abordo a Pouas a fundo, entro na recta da meta, troco de caixa, e atinjo os 295 km/h. Travo para Villeroy, de 5ª para 4ª e 3ª, mais um toque no travão e engreno a 2ª e abordo a famigerada curva no limite da aderência. Ao longe na areia vejo um concorrente a iniciar o seu regresso à pista junto aos esses de Sábliers...
O que se passou a seguir já pertence à história, mas, mesmo assim, aqui vai: o outro concorrente entra em pista e coloca-se mesmo na minha trajectória obrigando-me a travar a fundo, no limite, por forma a não lhe tocar na traseira. A volta já estava estragada. A travagem para a curva seguinte como é efectuada duma forma doce, não causou qualquer problema. Faço a travagem, abordo a curva em segunda velocidade e, à saída, acelero com toda a força descendo em direcção à parabólica. Terceira, quarta, travo e reduzo, terceira, segunda, mais um toque no travão e...o carro vai em frente como se, subitamente me tivessem tirado a aderência toda. A pista parecia um ringue de gelo e o toque mais ou menos violento nos rails foi inevitável. A suspensão frente esquerda cedeu e a direcção ficou a 30 graus. Já não havia mais nada a fazer. Calmamente dirigi-me às boxes. Troquei de pneus mas encostei logo na saída das boxes pois o carro estava inguiável.. Estava furioso! Não sei se com o concorrente que me obrigou a tal travagem, se com o facto de eu não me ter lembrado que, após travagem tão violenta, os pneus estariam afectados, pelo que deveria ter procedido com mais cuidado.
Escrevo estas breves palavras a bordo do Gulfstream V, a caminho de Barcelona onde, na próxima Quinta-feira irei disputar a penúltima corrida do Campeonato GTR2. Seguir-se-á o GP Histórico do Porto. Infelizmente a TMM não irá participar neste último. Mas lá estarei para apoiar e rever velhos compinchas. A festa (re) começa na próxima Sexta-feira! E bem cedo...
Até lá,
ME

