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o palhaço Odete amaldiçoado por Salazar
Desta vez escrevo um post um pouco mais curto para não saturar demasiado.

Vítor, os teus testemunhos escritos na primeira pessoa são, para mim, muito mais valiosos do que uma "explicação oficial" tanto dada pelo governo como por qualquer outra organização. Forneces-nos dados palpáveis e objectivos em vez de ambiguidades e abstracções como é costume obter nas fontes oficiais, por isso, acho que o que descreveste é uma "evidência" muito maior do que qualquer outra coisa que pudesses ter encontrado para consolidar a tese sobre as perseguições políticas. Fico, no entanto, até um pouco constrangido em pedir que me esclareças alguns pontos que me confundiram, espero que não me interpretes mal pois estas perguntas que vou fazer não almejam, de maneira nenhuma, lançar dúvidas sobre o teu testemunho, a única questão é que quero ter a certeza que estamos a falar sobre a mesma coisa para melhor poder direccionar a minha investigação e o nosso debate. Segundo o que disseste no teu primeiro post, voltaste para Portugal há quatro anos, como estamos a meio de 2007, presumo que tenhas voltado até ao final do ano de 2003. As assinaturas pedindo a convocação do referendo (as mesmas que geraram grande polémica por causa das alegações de irregularidades por parte da CNE. Na altura observei algumas páginas e achei que, sem dúvida, as assinaturas nessas páginas estarem todas feitas com a mesma letra era bastante suspeito, mas foram só algumas folhas e essas irregularidades que observei podem ser imputáveis não necessariamente à oposição mas a actos de vandalismo que estamos habituados a encontrar em coisas semelhantes) foram entregues em Dezembro de 2003 e analisadas pela CNE entre essa data e Maio de 2004 (há sensivelmente três anos, embora acredite que fosse possível ter uma base de dados com essas assinaturas pronta em Fevereiro de 2004, altura em que a CNE rejeitou cerca de 800 mil), o que foi até um tempo recorde para 2,4 milhões de assinaturas. Uma vez que só em 2004 seria possível, logisticamente, ter organizada uma base de dados informática onde constassem todos os signatários dessa declaração, o que disseste no teu primeiro post colocar-te-ia em Portugal nessa altura, a um hemisfério de distância desses possíveis actos de autêntico "fascismo" perpetrados pelo governo. O referendo propriamente dito só foi feito em Agosto de 2004, há menos de três anos. Sem querer, de forma alguma, abalar a credibilidade do teu testemunho nem dar-te lições sobre a realidade de um país onde viveste durante 24 anos, quero apenas ter a certeza que estamos a falar sobre as mesmas assinaturas e sobre o mesmo referendo. Na Internet é fácil haver confusões. Não pude deixar de pensar que, depois de todas as acusações sobre "atraso tecnológico" que já ouvi serem feitas ao governo, a existência de uma base de dados com um alcance dessa dimensão e acessível nas instituições do estado (cá em portugal, a maioria, nem sequer está ligada à internet) contraria essas mesmas acusações o que, por um lado, me pôs a transbordar em contentamento e, por outro lado, com muitas interrogações, por causa das coisas que descreveste. Outro facto que me parece incongruente com uma segregação em tão grande escala reside em não terem sido apresentadas queixas no ministério público (pelo menos em grande volume para que esses acontecimentos fossem amplamente divulgados pela comunicação social que, estou certo, não perderia uma oportunidade dessa estirpe) denunciando situações como a que descreveste, quando são apresentadas em relação a outras coisas análogas, fortemente encorajadas pelos partidos da oposição que, mesmo desagregados, conservam ainda bastante poder e influência (oposição que, agora, na pessoa do Manuel Rosales, até já pede que seja referendada a concessão da RCTV). Ainda a respeito da RCTV, o próprio governo está dividido nessa matéria e essa divisão foi mesmo transmitida em directo para todo o mundo com um deputado "Chavista" no parlamento a pedir mais tolerância e diversidade. Chavez ganha as eleições dentro de um sistema pluripartidário que permanece assim depois da sua eleição, muda a constituição, faz um referendo à sua própria continuidade no governo, que ganha. Depois das acusações de fraudes, são novamente inventariados os votos por observadores internacionais e pelo instituto Carter, que revelou uma discrepância de apenas 0,1% entre os resultados anunciados e os resultados reais (margem normal em qualquer processo eleitoral devido a erros imponderáveis), como a oposição mesmo assim não estava satisfeita, procedeu-se à contagem manual de todos os votos que produziu os mesmos resultados. Pelos critérios de todos os observadores internacionais, os resultados foram inteiramente legítimos. Dois anos depois, Chavez volta a ser eleito em novas eleições presidenciais, os observadores internacionais voltam a confirmar a legitimidade das eleições. A ser uma ditadura, seria uma ditadura dentro de um modelo inédito e sem precedentes em qualquer parte do mundo. Embora, claro, tal ideia não seja inconsistente com a existência de perseguições políticas, que existem em todos os países do mundo. A questão é se essas perseguições são feitas sob a égide do estado ou se são fenómenos localizados. Depois do decrescimento da economia provocado pela greve no sector petrolífero, convocada pela oposição e que durou cerca de dois meses, esta voltou a florescer numa medida pouco vulgar no percurso histórico do país. Entre a década de 1960 e a década de 1990 a taxa de pobreza subiu de 25% para 65%, só desceu novamente depois das reformas introduzidas por Chavez. Existe, claro, confrontação e instabilidade. Num sistema herdado das formas mais barbaras de capitalismo, qualquer transformação envolve confronto entre os interesses das classes anteriormente dominantes e as classes que se tenciona proteger da pobreza. É isto que me faz pensar nas necessidades objectivas do governo em criar uma assimetria dessa natureza entre os direitos dos opositores e os direitos dos outros, já que mesmo nas inflexões mais baixas da taxa de aprovação de Chavez, essa aprovação foi sempre maior do que a de qualquer outro presidente (acredito que desça a pique depois desta medida muito pouco popular sobre a RCTV). Pergunto-me se o que aconteceu contigo e com as pessoas que conheces terão sido casos pontuais ou uma prática generalizada que atinja todas as esferas sociais e profissionais. Vou submeter cuidadosamente tudo o que disseste a comparação com os dados que me forem chegando e vou-te mantendo informado, se encontrar novos dados ou informações relevantes irei expô-las aqui. Mais uma vez, espero que não te sintas ofendido pelas perguntas que fiz no princípio do post. Regra geral, não costumo perguntar mais do que o estritamente essencial sobre a vida pessoal de cada um e peço desde já desculpa por qualquer interpretação lateral que essas perguntas te sugiram, a finalidade é apenas situar a discussão e não pôr em causa o que disseste sobre um assunto sobre o qual acredito que te cause até uma certa angústia falar. Não quero trazer mesquinhices para dentro da conversa nem distrair a atenção para assuntos acessórios, espero que não tenhas ficado com uma ideia dessas. Sobre a visita, se cá vierem mesmo, é melhor que não estejam de dieta, já que é meu costume levar toda a gente à vila para experimentar algumas especialidades da região. Já deves conhecê-las. Sobre a tua vinda para Portugal, acho que nem tudo são rosas, afinal, na Venezuela, não havia o SAPO ADSL...lol. Boa sorte para o trofeu BMW e não voltes aqui sem ter ganho a corrida. :D
[Image: celeritas_sig.png]
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o palhaço Odete amaldiçoado por Salazar - by diospiro_verde - 04-06-2007, 11:33 PM

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