29-05-2007, 08:58 PM
ArrayE será q um estado assim é sustentável? N seria essa uma das razões da relativa pobreza em q os cidadãos desses países vivem? Será q as coisas funcionavam mesmo assim como seria suposto?[/quote]
Bem, essa costuma ser a maior questão que é posta sobre o comunismo. Toda a gente acha o comunismo muito bonito no papel mas a maioria das pessoas também acha que, pragmaticamente, é impossível ou quase impossível de ser aplicado na prática, porque foi feito por pessoas e para pessoas e as pessoas têm todas defeitos. Eu acho que, quando se trata de falar sobre comunismo muita gente se torna automaticamente perita na "natureza humana" (não me interpretes mal, não é decididamente o teu caso, mas com muitas pessoas acontece isto). Claro que, sob um ponto de vista científico e mesmo admitindo que a ciência é princípio do conhecimento e não o fim, não existe "natureza humana", embora exista uma "condição humana". Mas deixando-nos de divagações e passando a coisas objectivas, sobre a questão da sustentabilidade do sistema, a ideia que existe sobre a "pobreza" nesses países, não só é desajustada da pobreza que realmente existe como não nos dá os dados para compreender essa pobreza. Por exemplo, em Cuba, como tu bem referiste, uma parte da responsabilidade pela pobreza que lá há tem a ver com o embargo imposto pelos Estados Unidos e por países dependentes dos Estados Unidos que, claro, têm uma área de influência imperialista e que não permite o normal desenvolvimento da sociedade cubana. Outra parcela da responsabilidade tem a ver com decisões tomadas pelos próprios dirigentes, havendo, como de certeza presumes (e bem) a formação de "elites pseudo-burguesas" de pessoas ligadas ao governo, não é nessas elites que está a origem dos problemas principais, até porque os recursos que é possivel mobilizar para essas elites são irrisórios dentro do modo de funcionamento da economia cubana. Se pensarmos, como pensamos sempre que falamos em comunismo, na União Soviética e nos seus defeitos, é preciso compreender que a União Soviética foi, de longe, o país mais heteróclito do mundo, com uma area maior do que toda a europa e aglomerando vários estados com culturas e actividades económicas centrais completamente distintas. As disparidades de desenvolvimento entre cada estado eram abissais logo desde o princípio, com estados predominamentemente agrícolas em situação de desenvolvimento semelhante ao século XIX (em alguns existiam polos tecnológicos importantes mas que não contribuiam significativamente para o desenvolvimento de toda a região) e outros estados onde existiam condições de vida ao nível dos países mais desenvolvidos do mundo. Estas assimetrias foram herdadas, claro, do Czarismo. A tendência geral, era, segundo os dados dos governo e também segundo os dados de observatórios internacionais, para grandes progressos a estender-se a todos os estados da União Soviética, fazendo chegar energia, escolas, hospitais, redes viárias eficazes, etc mesmo às regiões mais remotas e habitadas do país. Era um processo moroso, sinuoso mas bem encaminhado e o destino do comunismo na união soviética não teve a ver com sub-desenvolvimento, até porque tanto a rússia como as ex-repúblicas estão agora numa situação muito pior do que estavam na era soviética, se devem ser postas questões em relação ao funcionamento de algum sistema, acho que faz mais sentido pô-las em relação ao capitalismo. Este sistema não só é funcional, como funcionou na prática na União Soviética depois do fim do Estalinismo. O motivo principal para a funcionalidade do sistema foi, como calculas, o papel dirigente do estado em relação à actividade económica, com o fim da propriedade privada dos meios de produção e o aparecimento de uma economia planificada de acordo com os interesses e as necessidades do país.
Bem, essa costuma ser a maior questão que é posta sobre o comunismo. Toda a gente acha o comunismo muito bonito no papel mas a maioria das pessoas também acha que, pragmaticamente, é impossível ou quase impossível de ser aplicado na prática, porque foi feito por pessoas e para pessoas e as pessoas têm todas defeitos. Eu acho que, quando se trata de falar sobre comunismo muita gente se torna automaticamente perita na "natureza humana" (não me interpretes mal, não é decididamente o teu caso, mas com muitas pessoas acontece isto). Claro que, sob um ponto de vista científico e mesmo admitindo que a ciência é princípio do conhecimento e não o fim, não existe "natureza humana", embora exista uma "condição humana". Mas deixando-nos de divagações e passando a coisas objectivas, sobre a questão da sustentabilidade do sistema, a ideia que existe sobre a "pobreza" nesses países, não só é desajustada da pobreza que realmente existe como não nos dá os dados para compreender essa pobreza. Por exemplo, em Cuba, como tu bem referiste, uma parte da responsabilidade pela pobreza que lá há tem a ver com o embargo imposto pelos Estados Unidos e por países dependentes dos Estados Unidos que, claro, têm uma área de influência imperialista e que não permite o normal desenvolvimento da sociedade cubana. Outra parcela da responsabilidade tem a ver com decisões tomadas pelos próprios dirigentes, havendo, como de certeza presumes (e bem) a formação de "elites pseudo-burguesas" de pessoas ligadas ao governo, não é nessas elites que está a origem dos problemas principais, até porque os recursos que é possivel mobilizar para essas elites são irrisórios dentro do modo de funcionamento da economia cubana. Se pensarmos, como pensamos sempre que falamos em comunismo, na União Soviética e nos seus defeitos, é preciso compreender que a União Soviética foi, de longe, o país mais heteróclito do mundo, com uma area maior do que toda a europa e aglomerando vários estados com culturas e actividades económicas centrais completamente distintas. As disparidades de desenvolvimento entre cada estado eram abissais logo desde o princípio, com estados predominamentemente agrícolas em situação de desenvolvimento semelhante ao século XIX (em alguns existiam polos tecnológicos importantes mas que não contribuiam significativamente para o desenvolvimento de toda a região) e outros estados onde existiam condições de vida ao nível dos países mais desenvolvidos do mundo. Estas assimetrias foram herdadas, claro, do Czarismo. A tendência geral, era, segundo os dados dos governo e também segundo os dados de observatórios internacionais, para grandes progressos a estender-se a todos os estados da União Soviética, fazendo chegar energia, escolas, hospitais, redes viárias eficazes, etc mesmo às regiões mais remotas e habitadas do país. Era um processo moroso, sinuoso mas bem encaminhado e o destino do comunismo na união soviética não teve a ver com sub-desenvolvimento, até porque tanto a rússia como as ex-repúblicas estão agora numa situação muito pior do que estavam na era soviética, se devem ser postas questões em relação ao funcionamento de algum sistema, acho que faz mais sentido pô-las em relação ao capitalismo. Este sistema não só é funcional, como funcionou na prática na União Soviética depois do fim do Estalinismo. O motivo principal para a funcionalidade do sistema foi, como calculas, o papel dirigente do estado em relação à actividade económica, com o fim da propriedade privada dos meios de produção e o aparecimento de uma economia planificada de acordo com os interesses e as necessidades do país.
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