19-10-2008, 03:41 PM
Não percebo tanta polémica em torno desta questão das ordens de equipa que, aliás, existem desde sempre. Acho perfeitamente aceitável, desejável e lógico que um piloto funcione como parte integrante e integrada na equipa e que os interesses da equipa tenham primazia sobre as suas eventuais aspirações pessoais. Penso que é assim que funciona qualquer equipa em qualquer desporto, criar regras que o proibam é, a meu ver, anti-desportivo e verdadeiramente falsificador da justiça dos resultados. A Formula 1 está a perder toda a credibilidade e respeito, as corridas ganham-se e perdem-se em todo o lado menos na pista, onde, aliás, é proibido ultrapassar (comportamento punido exemplarmente pelos comissários), são regras sobre trocas de motor, sobre jogos de pneus, sobre linhas no asfalto que não podem ser pisadas, proibições de entrar nas boxes na volta de saída do Safety Car, controle "anti-doping" ou até um gesto timidamente obsceno feito por um piloto em protesto contra outro pode ser punido, como já aconteceu no ano passado. Este ror de regulamentos, muitos deles obscuros e altamente subjectivos, são usados estratégicamente para manipular resultados (este ano, claramente, em favor da Ferrari, no ano passado, da McLaren). O que está em questão não é quem é beneficiado nem quem é prejudicado, não acredito que os dirigentes das equipas tenham uma palavra a dizer nesse aspecto. Tudo é organizado em função dos interesses económicos de quem dirige o desporto. Paises sem qualquer cultura no desporto automóvel vão começando a monopolizar o calendário. Emirados Árabes Unidos, Singapura, Barhein, China (não contesto o direito de qualquer país que mostre condições para isso organizar uma corrida, mas não em substuição das provas tradicionais, essas, deveriam ser invioláveis). Por outro lado, no ano que vem, não haverá uma única corrida na América do Norte (o facto de não haver Grande Prémio dos Estados Unidos é deprimente). Dois octagenários (ou quase) estão a liquidar o pouco que restava da verdadeira Formula 1, hoje, a Formula 1 movimenta demasiado dinheiro para que possa ter interesse enquanto desporto. O negócio, em todas as situações, sobrepõe-se aos valores desportivos. Até mesmo a paranoia com a segurança dos pilotos - ainda que a dos comissários e do público já tenha sido grosseiramente descurada no passado recente - apareceu como parte do negócio e da ganância dessas entidades, até aos anos noventa, alguém viu Bernie Ecclestone preocupar-se com segurança? Talvez uma nova geração de espectadores adore esta nova Fomula 1, eu, detesto-a.
![[Image: celeritas_sig.png]](http://i182.photobucket.com/albums/x153/el_pombo/celeritas_sig.png)
