12-04-2008, 04:44 PM
Coluna Warm Up: A falta que um Alonso faz
Flavio Gomes
Jogo ao vento alguns numerinhos, apenas para tentar embasar uma tese. Prometo que não será uma avalanche de estatísticas chatas. Pouca coisa, de fácil entendimento.
A eles.
Em 2006, começaram a temporada pela McLaren Kimi Raikkonen e Juan Pablo Montoya. Lembremo-nos que hoje o primeiro corre na Ferrari e o segundo, na Nascar americana. Depois das três primeiras corridas daquela temporada, a equipe prateada somava 23 pontos 14 na conta do finlandês, 9 no saldo do colombiano.
No ano passado, já com a dupla totalmente renovada, formada pelo bicampeão Fernando Alonso, contratado a peso de ouro, e Lewis Hamilton, garoto formado nas categorias de base da McLaren, foram 44 pontos anotados nos mesmos três primeiros GPs do campeonato 22 para cada um, empate absoluto.
Alonso saiu no final do ano, brigado com meio mundo, e o time contratou Heikki Kovalainen, que a exemplo de Hamilton estreara em 2007. Já se foram as três primeiras provas do Mundial-2008. Os jovenzinhos acumularam 28 pontos em Melbourne, Sepang e Sakhir. Estão empatados, ambos com 14 pontos na classificação. Em 2007, pois, após três etapas, a McLaren tinha 57% a mais de pontos do que no mesmo período de 2008.
É cedo para dizer que a saída de Alonso fez a McLaren regredir? Pode ser. A temporada é longa, 18 rodadas, tem muito chão pela frente e mais justo seria fazer esta análise, que corre o risco de ser precipitada, depois de oito ou nove corridas. Mas, mais até do que os números, que possuem certa eloqüência, sem dúvida, é o Hamilton-2008 quem está mostrando a falta que um Alonso faz.
Com o respaldo de um piloto laureado duas vezes em cima do melhor de todos, Michael Schumacher, de alguém que se achava responsável, como ele mesmo dizia, por seis décimos por volta, a McLaren começou 2007 arrebentando. O inglês, mal saído da adolescência, aproveitou como poucos essa solidez técnica que o espanhol trouxe na bagagem. E lutou pelo título até a última corrida.
Perdeu a taça para Raikkonen, é verdade. Mas os dois, Alonso e Hamilton, ficaram a apenas um pontinho do gelado ferrarista. Não dá para dizer que o esquadrão de Ron Dennis tenha tido um mau ano na pista, em termos de resultados deixemos de lado o episódio da espionagem, que na prática fez com que 2007 tenha sido o pior ano da história da McLaren.
Pelo que se viu até agora no Mundial, dificilmente os prateados vão repetir a campanha brilhante que cumpriram na última temporada. E Lewis dificilmente vai ser o piloto espetacular de 2007, o infalível estreante que espantou o mundo com uma série impressionante de pódios, chegando muito perto de levar o campeonato para casa em seu primeiro ano de F-1.
Sem Alonso ao seu lado, agora com a responsabilidade de liderar a equipe, Hamilton se mostrou, nestas três primeiras provas, um piloto muito menos espetacular. Ganhou na Austrália, é verdade. Mas primeira corrida do calendário raramente indica tudo o que vai acontecer no resto do ano. E essa de Melbourne foi particularmente confusa. Basta lembrar que os dois carros da Ferrari quebraram. Lewis correu sozinho. Na Malásia, não fez nada de excepcional (terminou em quinto). E no Bahrein, foi um desastre. Sua atuação foi tão ruim quanto fora a de Kovalainen pela Renault na Austrália, no ano passado bateu nos treinos livres de sexta, esqueceu de apertar botões na largada, caiu de terceiro no grid para nono na primeira volta, e ainda acertou a traseira de Alonso na segunda.
Acho que cheguei a dizer isso no ano passado: o verdadeiro Hamilton a gente vai saber quem é nesta temporada. Será ele um piloto realmente genial? Na maior parte do último campeonato, foi. A questão, agora, é saber se foi um gênio de um ano só.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/paginas/gra...7/483577_1.html
Flavio Gomes
Jogo ao vento alguns numerinhos, apenas para tentar embasar uma tese. Prometo que não será uma avalanche de estatísticas chatas. Pouca coisa, de fácil entendimento.
A eles.
Em 2006, começaram a temporada pela McLaren Kimi Raikkonen e Juan Pablo Montoya. Lembremo-nos que hoje o primeiro corre na Ferrari e o segundo, na Nascar americana. Depois das três primeiras corridas daquela temporada, a equipe prateada somava 23 pontos 14 na conta do finlandês, 9 no saldo do colombiano.
No ano passado, já com a dupla totalmente renovada, formada pelo bicampeão Fernando Alonso, contratado a peso de ouro, e Lewis Hamilton, garoto formado nas categorias de base da McLaren, foram 44 pontos anotados nos mesmos três primeiros GPs do campeonato 22 para cada um, empate absoluto.
Alonso saiu no final do ano, brigado com meio mundo, e o time contratou Heikki Kovalainen, que a exemplo de Hamilton estreara em 2007. Já se foram as três primeiras provas do Mundial-2008. Os jovenzinhos acumularam 28 pontos em Melbourne, Sepang e Sakhir. Estão empatados, ambos com 14 pontos na classificação. Em 2007, pois, após três etapas, a McLaren tinha 57% a mais de pontos do que no mesmo período de 2008.
É cedo para dizer que a saída de Alonso fez a McLaren regredir? Pode ser. A temporada é longa, 18 rodadas, tem muito chão pela frente e mais justo seria fazer esta análise, que corre o risco de ser precipitada, depois de oito ou nove corridas. Mas, mais até do que os números, que possuem certa eloqüência, sem dúvida, é o Hamilton-2008 quem está mostrando a falta que um Alonso faz.
Com o respaldo de um piloto laureado duas vezes em cima do melhor de todos, Michael Schumacher, de alguém que se achava responsável, como ele mesmo dizia, por seis décimos por volta, a McLaren começou 2007 arrebentando. O inglês, mal saído da adolescência, aproveitou como poucos essa solidez técnica que o espanhol trouxe na bagagem. E lutou pelo título até a última corrida.
Perdeu a taça para Raikkonen, é verdade. Mas os dois, Alonso e Hamilton, ficaram a apenas um pontinho do gelado ferrarista. Não dá para dizer que o esquadrão de Ron Dennis tenha tido um mau ano na pista, em termos de resultados deixemos de lado o episódio da espionagem, que na prática fez com que 2007 tenha sido o pior ano da história da McLaren.
Pelo que se viu até agora no Mundial, dificilmente os prateados vão repetir a campanha brilhante que cumpriram na última temporada. E Lewis dificilmente vai ser o piloto espetacular de 2007, o infalível estreante que espantou o mundo com uma série impressionante de pódios, chegando muito perto de levar o campeonato para casa em seu primeiro ano de F-1.
Sem Alonso ao seu lado, agora com a responsabilidade de liderar a equipe, Hamilton se mostrou, nestas três primeiras provas, um piloto muito menos espetacular. Ganhou na Austrália, é verdade. Mas primeira corrida do calendário raramente indica tudo o que vai acontecer no resto do ano. E essa de Melbourne foi particularmente confusa. Basta lembrar que os dois carros da Ferrari quebraram. Lewis correu sozinho. Na Malásia, não fez nada de excepcional (terminou em quinto). E no Bahrein, foi um desastre. Sua atuação foi tão ruim quanto fora a de Kovalainen pela Renault na Austrália, no ano passado bateu nos treinos livres de sexta, esqueceu de apertar botões na largada, caiu de terceiro no grid para nono na primeira volta, e ainda acertou a traseira de Alonso na segunda.
Acho que cheguei a dizer isso no ano passado: o verdadeiro Hamilton a gente vai saber quem é nesta temporada. Será ele um piloto realmente genial? Na maior parte do último campeonato, foi. A questão, agora, é saber se foi um gênio de um ano só.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/paginas/gra...7/483577_1.html
